Do amor platonico

Simples assim. Sou muito dada aos amores platonicos. Amo ferozmente.
Professores entao, ja amei muitos, pobres coitados, diziam de mim uma aluna quieta, nada sabiam onde estava a minha imaginacao.
Amei um professor de filosofia no ginasio que tinha um rosto cheio de espinhas e adorava Samuel Beckett, amei tambem meu professor de natacao e jurava que ele tambem me amava. Loucamente.
E amei 'visceralmente' meu querido Steve Woodham, meu professor lindo, que quando falava o dente balancava, que tinha os sapatos salpicados de tinta, que fazia as aulas pesadas de Social Policy parecerem conversa de bar. Que um dia eu tive a ideia genial de dar uma barra do chocolate Galaxy, pra depois notar que ele comecou a me olhar diferente e so depois reparar que no comercial desse chocolate a mulher na banheira fazia um bocado de coisas safadinhas com o chocolate.
Ah! sempre amei demais.
E nesse longo verbo transitivo direto de Inglaterra me apaixonei por esse dai da foto. Jeremy Paxman, jornalista da BBC TWO. Pense um cerebro pensante, pense um cara que sabe o que faz. Aproveite e pense numa mulher que nao sabe o que escreve.
Bem, ocorre que hoje pela terceira vez eu o vi. A primeira vez o vi no corredor, um pouco distante, fiz cara de quem procurava algo so pra andar em sua direcao, a segunda vez ele abriu a porta pra mim, um gentleman, ele me ama, logo conclui. E hoje ele passou por mim feito um raio, mas eu notei um botao da camisa faltando e o cheiro de seu perfume caro. O que alias me pareceu bem incoerente.
E Foi-se. Algo me diz que nao nos veremos nunca mais.
Nada nao, vou s'imbora pro Recife, comer pirao pra depois virar um vegetal na rede de painho.
E se por acaso alguem ver chegar por la uma mulher carnuda, seios fartos, cochas firmes e grossas, sou eu nao. Eu sou aquela la atras, coisinha sem cor e sem graca, natureza morta, pernas finas e maos de homen, sobrevivendo as tragedias dos amores platonicos e reais. "E' que meu alegre coracao e' triste como um camelo " diz aquela cancao.




